O Baque da Vitória
Vermelho
Tudo parado
Da poça d`água à fila de carro
O copo das lamentações não está gelado
A rádio toca um velho sucesso
Sem opção, outra bebida eu peço
Amigos não me faltam
Descaso e afeto, amor e raiva.
Ouço atentamente o que eles dizem
Observando a folha que a água leva.
Leva e eleva o reflexo da luz
Luz amarela.
E amarelo.
Eu espero.
Perdi o controle, pois,
Nem mais meus traços
Respondem aos meus atos.
Só satisfazem os desejos
Dos lápis de grafites gastos.
Por um segundo, passa a vida,
Passa a folha, a ponta quebra.
Você não passa, e não participa
Desse momento eterno
Tão doce e inquieto.
Quieto. Curtindo frivolidades.
Verde.
Um movimento na cidade.
Introspectivo (Como um sarau deve ser)
Eu estou ficando louco.
Ardendo em solidão.
Rasgo gritos da janela,
Mas nem a lua tem razão.
Deve estar tão louca quanto eu,
Cultivando compaixão.
Queimo-me no gelo da cidade
Das pessoas, dos fantasmas,
Das vozes de ansiedade.
Por que diabos eu insisto
Se não faz sentido
Sentir não ser percebido.
Sede de sangue, sede de Sade,
Surto de sanidade, senso do saber,
Senil ansiedade, sova de solidão,
Suma da minha frente!
Mas, por favor, me dê a mão.
De que adianta isso tudo,
Meus medos não vão mudar
Alguém, tire de mim esse complexo
De olhar meu avatar.
Não são medos, são dedos,
Dedos a tremer
Este sou eu
Prazer, me desconheço,
Depende de você.
Pensar, pra mim, é bom.
Traz-me a solidão
Sou um louco rastejando
Dê-me a sua mão.
Eu não te entendo
Não há discernimento
Vejo-te em livros e filmes
Mas se esconde aos olhos humildes
Não te encontro nas conversas
Não está em muitas festas
Culpa tua, perdi a razão.
Me dê a porra dessa mão!
Vê? Eu me fecho.
Traio tudo, confidencio tudo.
Danço a tua música
Em apenas uma nota: Paradoxo
Meu tormento ortodoxo
Culpado de inocência
Rendo-me a opressão
Acalmo-me, é a vida.
Entrego os joelhos ao chão.
Duplipenso fatores em um produto fixo.
Eu me dei por vencido.
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