Assim seria

Pela manhã, quando acordo, preciso de um bom café para animar. Se você tivesse dormido aqui esta noite, vê-la linda ao meu lado bastaria.

Então, preparo algo para comer pensando no meu dia. Se preparasse algo para nós comermos, seria em você que eu pensaria.

No trabalho, ocupo-me de coisas importantes para no futuro realizar meus sonhos. Mas, juntos, fariamos nossos planos, pois para mim, só você importaria.

Almoço com os amigos, e fico apenas a ouvir o que eles têm a dizer. Queria mesmo te ligar, ouvir tua voz, e imaginá-la com olhos cheios de alegria.

Passo a tarde com pessoas estranhas a mim, esperando que o próximo telefonema seja seu. Entre as bobagens que sairiam de nossas bocas, a palavra 'saudade' escaparia.

No fim das tardes um vazio me toma o peito. Então, eu saio por aí, e vez em quando alugo um filme ao acaso. Visualizo-me indo te buscar em casa, e perguntando qual filme você gostaria de assistir.

Quando acabasse, eu te olharia, diria que te amava, e lhe daria um beijo. Mas quando acabou, eu apenas me levantei, e lavei as louças do dia que passou.

À noite, São Paulo esfria. Tomei um banho, li alguma coisa, e deitei, me perguntando se um dia iria te conhecer.

Viciados em anestesia

Estava aqui pensando: sou igualzinho à todo mundo. Não tem o que tirar nem por. Não estou falando de educação ou estilo de vida. Refiro-me ao amontoado popular, ao genérico humano.

Sabe, às vezes, como todo mundo, eu quero me matar. É, morrer, perder a vida, como dizem. E isso geralmente acontece quando estou triste. Viu, só? Igualzinho a todo mundo.

Vai ver, é por que temos as mesmas aspirações básicas. Eu amo, como todos. Eu odeio, como todos. Eu sofro, como todos. Eu desejo, como todos.

Eu reclamo da política nacional, mas não faço nada, como todo mundo. Admiro a bela natureza, mas uso carro, sprays e não separo o lixo, como todos. É bom deixar claro que este texto não diz respeito às excessões, e sim à galera sentada na 'geral'.

Dessa forma, também somos todos iguais (mas uns mais iguais que os outros?) nos itens hipocrisia, ingenuidade e conformismo. Veja, são diferentes, o hipocrita é falso e sabe disso. O ingênuo poderia se safar dessa, mas quero falar dos ingênuos por opção. E tudo isso leva ao conformismo.

Feitas estas superficiais considerações, vamos para meus questionamentos hipócritas. Por que eu não me resolvo? Todo mundo dá um jeito, não?! Conversa. E como toda pergunta hipócrita vem acompanhado de um complemento ingênuo, lá vai: Por que será que todos nós não nos assumimos, e nos unamos numa legião de não-resolvidos? Já sei, estamos muito ocupados nos resolvendo.

E por fim, a frase conformista resultante das dúvidas. Aqui ela está bonitinha, para que não pareça que não cheguei a nenhuma conclusão:

Nessa dos mal-resolvidos não se entenderem, quando vêem que não chegaram a lugar algum, têm a brilhante resolução: resolvem se matar.

Viram? Como eu. Como todo mundo.




[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , Homem , entre-palavras-entre-linhas jorgezugliani@hotmail.com

 
Visitante número: