Convida
Como em outro texto,
eu continuo esperando alguma coisa
Como se não fosse qualquer coisa
que pudesse me satisfazer
Como em outra vida
continuo procurando satisfação
Como se existisse alguma coisa
que pudesse me conter
E eu continuo assim,
contando essas coisas a você
o que eu espero da vida
com tantas vidas pra crer.
Entre o que se espera da vida
e à quê a vida convida
eu espero viver com vida
eu espero lembrar de você
Seria bonita, se fosse magra.
Seria magra, se se achasse bonita.
Casaria, se já não tivesse filhos,
Teria mais, se ainda tivesse alguém.
Ruela qualquer da vila.
Maria nunca mais foi vista.
Como Camus já dizia...
...não faz a diferença.
De que adianta ser bom,
Nunca se é bom o suficiente.
De que adianta ser legal,
legal se vê em toda gente.
De que adianta fazer a minha parte,
Tem que ser inteiro, completamente.
Por que então somar as partes,
Deve ser tudo, o tempo todo, inteiramente.
De que adianta amar?
Se não está ao lado, presente.
De que adianta tantos livros,
alguém sempre arrota muito mais que a gente,
De que adianta ignorar,
Elas dizem que o fazem, mas mentem.
Sabe, espelho...
Tem coisas na vida que não fazem sentido,
entre elas, as que fazemos sensatos,
exceto as que fazemos sentindo.
Umas esperamos sentados,
outras esperamos sorrindo.
Algumas não se espera de fato.
Saí do metrô e vi a escadaria que teria que subir. Calma. É sua última semana, Jorge. Depois, passará o resto do ano trabalhando em casa, sem pegar sol, falando com as pessoas do estúdio apenas pela Internet. – não, isso não me animou. Eu sentirei falta de todos lá, e eu nunca fui de reclamar do calor. Apesar de preferir o frio.
Já estava na parte alta, agora era só descer o mesmo tanto de escada do outro lado para se chegar lá. Vi uma mãe, carregando uns pacotes grandes, suando pra diabo, tendo que prestar atenção neles, e no filho, que caminhava ao lado. O garoto estava calmo, não havia motivo para agitação, mas é mãe, fazer o quê?
Eu, com tanta coisa na cabeça, resolvi observá-los para ver se mudava um pouco o assunto dos meus pensamentos. Eles iam alguns degraus a minha frente e o garoto dizia:
- Mãe, o pai vem pro carnaval?
- Não, não vem.
- Então, vamos só nós três pra casa da vó, Mã??
- Não, só nós dois, já disse que seu pai não vem. E nem sei se agente vai mesmo.
O menino descia ignorando o suor que escorria pela testa.
- Se formos, a vó vai deixar a gente brincar com o Pedro, Mã?
- A gente não, filho, você e o Pedro podem brincar na horta, isso se ele não estiver ajudando seu tio.
- A gente espera na horta brincando até ele acabar de ajudar.
- Eu vou ajudar a vovó, filho. Isso se ela quiser minha ajuda, droga!
- A gente espera mesmo assim.
- Tsc.
Ela tentava enxugar o rosto com a manga, equilibrando o pacote, enquanto olhava onde seus pés pisavam na descida.
- Não fica assim, Mã, o papai não ta aqui, mas a gente não quer ver você assim...
- A gente quem??? Por que você fala isso toda hora??? A Gente quem??? Tem alguém aqui, droga????
- Sim. A gente. Eu, você e o sol.
Durante uns bons dias não reclamei mais de nada.
Outro texto que chega atrasado....
Mais um sonho, que aconteceu à exatamente uma semana e um dia atrás...
Eu tava saindo do meu prédio, no corredor do meu andar ainda, quando passo em frente ao 35. O 35 sempre foi um apartamento decorado, chegando a cheirar incenso, mas sempre chamando atenção pelo grande número de plantas espalhadas pela sala, ( e claro, espalhadas pelo pequeno espaço de entrada do próprio apê também.)
Acontece que o que me chamou atenção naquele dia não foram as plantas, mas sim, a ausência delas!
Sim, hão haviam plantas e a porta estava aberta, mostrando que na sala também não havia nada.
Nada, vazio, nadica, nhécas. Sem mobília.
Execto por uma coisa, a Fifi.
A Fifi é a puddle da dona do 35. É o cão que mais late na face da terra, mas é um amor de cachorro, eu gosto dela.
Eu fiquei com dó, tadinha, sozinha ali, em baixo da janela, mas parecia nem notar a ausência da dona.
Fui até lá, brinquei com ela e perguntei: (ah, qual lê? É um sonho, eu posso perguntar pro cachorro, num poso??)
- cadê a Dona Fifi?
(pausa. Eu não sei, nem nunca soube o nome da dona do 35, apenas o nome do cachorro, afinal, ela grita essa palavra umas 7 vezes ao dia pelo menos. Isso por que nem paro em casa! Natural que, em sonho, eu chamasse a minha vizinha pelo nome do seu cão.)
A cachorra não respondeu. Continuou abanando o rabo, como se estivesse feliz em me ver.
Então surgiu na porta um cara que nunca vi na vida.
(Outro parênteses. Alguém aí pode me explicar como é que pode aparecer um cara em nosso sonho que a gente nunca o viu na vida??? Fecha parênteses)
O cara perguntou o que eu fazia ali, ao que eu respondi: “Cadê a Dona Fifi?”
Ele engoliu em seco, baixou a cabeça, e disse, ela faleceu hoje...
Então eu dei-lhe um abraço amigo, consolando o cara. Isso sendo que eu nem o conhecia. Aliás, nem ele, nem ela. Por que eu chorava?
O fato é que fui um bom amigo, e depois tivemos um conversa que eu não me lembro, mas que esclarecia o óbvio: A cachorra ficaria agora comigo.
Claro, a velha do 35 morre, o garoto do 38 herda.
Não houve questionamento e eu levei a cachorra.
Mas não sei por quê diabos eu estava agora saindo do meu apartamento com a mochila nas costas e o carrinho com minha mala atrás.
Entro no corredor e paro pra ver uma mulher vindo do outro lado. E não era qualquer mulher. Amigos, imaginem a mulher mais gata que vocês já viram na vida. Isso, agora vistam-na de paletozinho preto e saia preta deixando aparecer o elástico da meia calça. E garotas, imaginem aquela mulher que vocês morrem de inveja quando seu namorado fantasia. Certo, pessoal, é ela.
Estava vindo até meu lado do corredor, provavelmente iria até algum apartamento antes do 38. Então entrei de volta, por algum motivo, mas ela entrou junto e disse:
“Assistênte Social”
Eu não entendi nada, mas ela sentou-se em meu sofá, tirou um caderno da bolsa. Olhou-o, não quis usá-lo, e pediu o meu que estava sobre a mesa. Passei pra ela o caderno com aquela cara de “hein???” e ela pediu que eu me sentasse.
A partir daí começou um diálogo sobre a guarda da cachorra Fifi, onde vocês não tenham dúvidas, defendi o que é meu por herança até o fim.
O problema é que não me lembro o fim...
~:(
Fim.
Procurar trabalho dá trabalho!
Este texto eu deveria ter postado faz tempo. Eu precisava registrar como consegui um dos empregos mais legais que já tive até hoje. Mas estava com uma tremenda preguiça de escrever.
Então, um dia, uma pessoa nova que conheci me animou a fazê-lo, depois de ter contado a ela toda a história.
Portanto, mais do que um registro, é uma homenagem a essa moça que é muito legal.
Ou seria apenas um texto comum que dedico a ela?
Seja como for, estou transcrevendo aqui (na verdade é puro ctrlC-CtrlV) exatamente como falei a ela. Não coloquei suas falas pois não sei se ela gostaria, neh ~:)
Se vc ler, moça, um bjo pra ti, vc é legal, e quero vê-la de bem com a vida.
Era uma vez, eu, Jozz, indo para Jaú. Ônibus cheio pela metade, ou seja, têm lugar pra td mundo. Mas não é que me entra um mané de terno, aos prantos, pingando suor, fedendo, e senta-se ao meu lado???
Como se isso já não estivesse me irritando, o homem era um daqueles viciados em trabalho. Abriu a pasta preta, pegou umas duplicatas, uma calculadora e começou a contabilizar suas coisas.
Vez em quando ele enxugava o suor com a duplicata, e pingava em mim, claro. Se isso fosse por 15 minutos tudo bem, mas o homem passou 1h e meia fazendo aquela porra!!!
Então cogitei a idéia de trocar de lugar, como vc sugeriu, mas não é que o ônibus pára numa cidade X e completa a lotação????
Acha que acabou? Nããão.... começou a passar 'Corpo Fechado' no vídeo, e eu encostei o banco para trás para poder ver, mas aquela criatura maldita era muito gorda!!!!!
Eu estava no primeiro banco, atrás do motorista, ao lado da janela, e não tinha como eu ver a porra da tv...
Neste momento eu já estava criando um personagem de quadrinhos com aquele energúmeno. Seria um perfeito idiota que só ia se fuder o tempo todo. Eu ia acabar com a vida do infeliz, mas em versão quadrinhos hehe
Então o ser fecha a maleta, e encosta o banco... "Paz", pensei. Mas ele começou a cantar.
Sim, ele estava do meu lado, cantando, interrompendo às vezes para bocejar muito alto!!
O ônibus inteiro não aguentava mais o ser, não era só eu. Tudo parecia ter chegado ao extremo absurdo, quando se vira e diz:
- Jaú?
"Nãããããooooo" pensei. "Meeerda!! Kra chato!!! só faltava querer puxar papo, infeliz!!!"
- Eu.. ah... é... vou.
- Ah, conheço algumas pessoas lá, sou de Bauru
- Legal.
- O que você faz em Jaú?
- Nada.
- E em São Paulo?
- ...
- Desculpe, não ouvi
- Estudo,”porra”, em pensamento, claro.
- Ah, é? Estuda o que?
- Desenho --- aposto q ele vai achar q eu sou só um artista, desocupado, e vai desencanar de mim - Desenho Industrial??? Sério??? --- não é que ele sabia que meu curso existia?
- É.
- E que área do Desenho Industrial você faz? Programação Visual ou Projeto de Produto?
- Visual.
- Ah, então é um Designer Gráfico!
- Sim, sou.
- Acabei de contratar dois hoje!
(Silêncio aqui.)
- Verdade que você contratou, cara???? - Leia isso com a entonação de um designer desempregado e cheio de contas pra pagar!
- Sim, sim, e estou precisando de mais um...
- Puxa, fala mais, fala mais!
- Falo, mas não sei se você iria se interessar, é uma área que poucas pessoas gostam...
- Se for TV, tô fora! Acabei de sair de uma, prefiro editorial...
- Eu tenho uma Editora!
Por coincidência, eu estava com todo o meu portifólio na mochila! Mostrei todo meu trabalho!
Depois de deixar o currículo com ele, eu me virei pra dormir, e ele abriu uma revista TRIP e começou a chorar de rir!!!
Eu me virei para ver melhor do que o maledeto ria tanto,, e ele não só estava vendo as mulheres nuas, como estava lendo os textinhos q ficam ao lado das modelos, manja??????
Pra piorar, era bem a edição em que foram entrevistados os kras daquele programa Pânico. Ele se voltava pra mim a toda hora pra perguntar o que eu achava, além de outros assuntos....
E eu não poderia mais ser mal educado,, droga,, Mas quando chegou em Jaú, foi o melhor.
Ele se despediu, marcou um dia pra eu ir até a empresa,,, e desceu primeiro q todo mundo do ônibus. Quando saiu, todos os passageigos começaram: "AAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE”
“PARABÉÉÉÉÉÉNSSSS!!!!! CONSEGUIU UM EMPREGO!!!”
“IIIIUUURRRRRRUUUUUUUUU!!!!! TOCA AQUI!!!!!!"
E vieram me comprimentar em fila...
Hoje é norma da empresa chamá-lo de Senhor, e ninguém sabe dessa história.
~:)
Sonho IV
Esse foi grande, mas droga, não consigo me lembrar dele todo. Bom, foi mais ou menos assim, não sei por qual motivo São Paulo estava totalmente congelada. Pelo menos a Av. Paulista, onde eu estava. Eu estava sob o prédio da fiesp, e tampando toda aquela área aberta pra avenina estava um enorme iceberg, quando passa na minha frente um enorme navio vermelho (vermelho?) que vinha de uma ponta da avenida a outra, sentido metrô paraíso. Ele abre os espaços entre o gelo, e libera a entrada da fiesp, então pude ver todos os prédios da Paulista partidos ao meio.
(???) - teve mais coisas, deve ter tido, mas eu não lembro.
Na mesma noite sonhei com outra coisa. Eu era ladrão profissional e estava num apartamento cobertura com outros dois ladrões profissionais, e uma refém. Não me lembro o que nós roubáramos, ou iamos roubar. Mas lembro que morriamos de medo de ficar sozinho na área aberta do apartamento onde havia uma árvore grande, mas sem folhas. Pelo formato dos galhos, se ela tivesse folhas, seria um frondosa copa. Enfim, brigavamos toda hora entre nós e ninguém queria ficar sozinho ali, quando uma hora eles me trancaram pra fora, e da árvore caiu uma serpente. Como eu estava meio longe, subi rápidinho no parapeito, e me encostei a parede do prédio para que ela não me visse, e desse tempo de sei lá o quê. Mas ela era rápida e nem consegui subir no parapeito, ela me atacou. Gozado é que 'na cena seguinte', eu estava chutando a porta trancada, entrei no apartamento e matei todo mundo.
Combo de sonhos
Sonho # II
Eu estou em um quintal fechado por paredes jogando bola com um primo, ou dois, não me lembro. Mas a bola é um sanduíche de pão de forma, recheado com maionese de frango, com direito a palitinho de dente espetado, e azeitona na ponta.
O jogo dura bastante tempo, até que eu pego o sanduíche e digo: ‘Parou o jogo, a bola é minha.”
Sonho # III
Estou em uma casa estranha, mas todos os meus familiares do interior está lá. Não falo com ninguém até que meu tio me vê e me chama.
‘Filho, você precisa se confesar.’
‘Não, ta tudo bem tio, valeu.’
‘Precisa sim, eu sinto.’
‘Mas eu to bem, é sério, não preciso não.’
A ‘conversa’ ‘flui’ até que ele me convence de que eu estou em pecado.
Surpreendentemente havia um daqueles confessionários em forma de igrejinha bem ao fundo, que eu não tinha visto antes, fomos até lá, ele se entocou na casa, e eu fiquei do lado de fora.
Quando fui começar a lista de pecados que ele me fez lembra que cometi, minha mãe apareceu e me cutucou a barriga dizendo: “haha, de que adianta correr todo dia? Ta mó gordo, olha!!”
Então eu saí correndo atrás dela para dar-lhe uns petelecos e deixei meu tio falando sozinho.
Sonho #I
Estou fazendo trabalho de faculdade em pé, na sala do meu apartamento. Rasgo um pano branco com a ajuda de uma tesoura, um trabalho estranho, já que nunca fiz isso na faculdade. Por incrível que pareça, meu companheiro de apartamento também está fazendo alguma coisa na sala, quando a menina do prédio vizinho, do apartamento que dá certinho com a minha janela, começa a gritar:‘Olha agora, olha! Quero vê se tu é homem! Olha agora, porra!’ Eu fiquei fingindo que não ser comigo. Mas fiquei intrigado. Comentei com o cara ao meu lado, e ele fingiu descaso, isso me irritou. Foi quando tudo lá fora começou a ficar vermelho, cheguei mais perto da janela e o prédio vizinho explodiu!
Comentei de novo como o cara ao meu lado, e ele disse que não deveria ser nada. Mandei ele pra puta que o pariu, e corri até a rua para ver o que estava acontecendo. Eram bolas de fogo caindo do céu, acertando as coisas a minha volta e fazendo-as explodirem. Na minha direção vinham filhotes de bolas de fogo, do diâmetro de um cd mais ou menos. Todo mundo corria para algum lugar, mas eu, ao invés de correr, não saia de frente de casa. Isso mesmo, não era mais o prédio onde moro hoje, eu estava desviando de bolas de fogo em frente à casa onde morei até os 14 anos no interior, casa que hoje esta demolida.
Até aí não fiquei assustado, pois sonho com esta casa freqüentemente, mas o que não entrava na minha cabeça (sim, eu raciocínio dentro dos meus sonhos) é que enquanto as bolas de fogo faziam as coisas explodirem, em mim elas ardiam. Porra, porque ardiam? Era pra eu explodir também!! O que eu tenho de especial que as bolas de fogo me ardam, e nos outros, faz com que explodam??
Acordei.
O Baque da Vitória
Vermelho
Tudo parado
Da poça d`água à fila de carro
O copo das lamentações não está gelado
A rádio toca um velho sucesso
Sem opção, outra bebida eu peço
Amigos não me faltam
Descaso e afeto, amor e raiva.
Ouço atentamente o que eles dizem
Observando a folha que a água leva.
Leva e eleva o reflexo da luz
Luz amarela.
E amarelo.
Eu espero.
Perdi o controle, pois,
Nem mais meus traços
Respondem aos meus atos.
Só satisfazem os desejos
Dos lápis de grafites gastos.
Por um segundo, passa a vida,
Passa a folha, a ponta quebra.
Você não passa, e não participa
Desse momento eterno
Tão doce e inquieto.
Quieto. Curtindo frivolidades.
Verde.
Um movimento na cidade.
|
|||
|
|||